segunda-feira, 30 de julho de 2012


E eram muito mais brincadeiras do que verdades. Eram conversas para passar o tempo, para se conhecer melhor, para descobrir cada detalhezinho do outro em uma conversa descontraída, onde cada história sórdida e libidinosa era encarada como uma experiência engraçada. Eram conversas que abriam as portas para a intimidade. Cada vez mais, o contato se fazia presente. Desde dedos entrelaçados até beijos roubados. O sentimento crescia e criava asas. Era bom, gostoso, reconfortante. A presença dos dois tornou-se imprescindível nos dias que se seguiam. Os sorrisos dos dois quando finalmente se olhavam eram constantes, os olhares se tornaram mais intensos e o sentimento mais concreto. Àquela altura, já não era mais só amizade, mais só um fica, mais só uma paixão.  Não eram mais apenas trocas de beijos, contato carnal e um contrato de enamorados. Era algo mais forte, mais bonito, mais mágico. As verdades nas brincadeiras apareciam, assim como o ciúme das histórias antigas, amores passados... Um medo, talvez, de surgirem no presente e de perderem a preciosidade que haviam conseguido: O amor. Era um sentimento que não podia mais simplesmente desparecer, evaporar. Todo dia se fazia mais forte e crescia, mesmo que um pouquinho. Um não acreditava que o outro amava mais e, assim, nunca chegavam a lugar nenhum. Parecia um amor sem fim. Era um amor sem fim. Era impossível nascer uma ligação maior e personalidades mais compatíveis. Àquela altura, não sabiam como havia acontecido e nenhuma certeza era maior do que o amor que sentiam um pelo o outro. E era só isso que importava.

-Valéria Coelho 

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