E
eram muito mais brincadeiras do que verdades. Eram conversas para passar o
tempo, para se conhecer melhor, para descobrir cada detalhezinho do outro em
uma conversa descontraída, onde cada história sórdida e libidinosa era encarada
como uma experiência engraçada. Eram conversas que abriam as portas para a
intimidade. Cada vez mais, o contato se fazia presente. Desde dedos
entrelaçados até beijos roubados. O sentimento crescia e criava asas. Era bom,
gostoso, reconfortante. A presença dos dois tornou-se imprescindível nos dias
que se seguiam. Os sorrisos dos dois quando finalmente se olhavam eram
constantes, os olhares se tornaram mais intensos e o sentimento mais concreto.
Àquela altura, já não era mais só amizade, mais só um fica, mais só uma paixão.
Não eram mais apenas trocas de beijos,
contato carnal e um contrato de enamorados. Era algo mais forte, mais bonito,
mais mágico. As verdades nas brincadeiras apareciam, assim como o ciúme das
histórias antigas, amores passados... Um medo, talvez, de surgirem no presente
e de perderem a preciosidade que haviam conseguido: O amor. Era um sentimento
que não podia mais simplesmente desparecer, evaporar. Todo dia se fazia mais
forte e crescia, mesmo que um pouquinho. Um não acreditava que o outro amava
mais e, assim, nunca chegavam a lugar nenhum. Parecia um amor sem fim. Era um
amor sem fim. Era impossível nascer uma ligação maior e personalidades mais
compatíveis. Àquela altura, não sabiam como havia acontecido e nenhuma certeza
era maior do que o amor que sentiam um pelo o outro. E era só isso que
importava.
-Valéria Coelho
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